bolsai vs Status Invest: quando você precisa de uma API de dados da B3 (2026)
O Status Invest é uma das plataformas de análise de ações e FIIs mais usadas por investidores no Brasil, e por bons motivos: a interface é rica, os indicadores estão organizados e a experiência de navegar por um ativo é excelente. Mas há um momento em que o navegador deixa de ser suficiente. Quando você precisa dos mesmos dados dentro de um script Python, de uma planilha que se atualiza sozinha ou de um agente de IA, a pergunta muda de "onde clico?" para "existe uma API do Status Invest?". Este artigo responde essa pergunta com honestidade e mostra onde a bolsai entra.
TL;DR
Use o Status Invest quando o objetivo é analisar visualmente uma ação ou um FII no navegador: ler indicadores, ver gráficos e comparar ativos manualmente. É uma plataforma web feita para consulta humana.
Use a bolsai quando você precisa dos dados por código: uma API REST oficial que devolve JSON e CSV para Python, Google Sheets, dashboards, backtests e agentes de IA via MCP. É acesso programático aos dados da B3, CVM e BCB.
O Status Invest não publica uma API pública. Ele é uma interface, não um provedor de dados para desenvolvedores. Quem precisa automatizar precisa de uma ferramenta desenhada para isso.
Antes de comparar, vale deixar claro o critério: este texto não tenta eleger uma ferramenta "melhor" no vazio. Status Invest e bolsai resolvem problemas diferentes. Um é ótimo para o investidor que abre o site, digita PETR4 e lê a página. O outro é para quem escreve requests.get(...) e recebe os números prontos para processar. Confundir os dois leva à frustração: tentar automatizar em cima de uma plataforma visual, ou esperar de uma API a experiência de navegação de um site.
O Status Invest tem uma API? A resposta honesta
Verificação direta ao ponto: o Status Invest é uma plataforma web de análise, não um provedor de API pública. Ele não publica uma API REST oficial, nem documentação para desenvolvedores, nem um fluxo de emissão de chaves de acesso voltado a integração. O produto foi construído para ser usado no navegador, por uma pessoa, uma tela de cada vez. Isso não é um defeito. É simplesmente uma escolha de produto diferente da de uma API.
Na ausência de uma API oficial, a comunidade de desenvolvedores costuma recorrer a web scraping: programas que abrem as páginas do site e extraem os números do HTML, ou que chamam endpoints internos que o próprio site usa para renderizar a interface. Há vários projetos assim no GitHub. O problema dessa abordagem é conhecido por quem já a tentou em produção:
- Endpoints internos não são um contrato público. Podem mudar de formato, de rota ou desaparecer a qualquer momento, sem aviso, quebrando a sua aplicação.
- Scraping pode violar os termos de uso da plataforma. É um risco jurídico e operacional que cada um precisa avaliar.
- Não há garantia de disponibilidade, limite de requisições documentado ou suporte. Se o site bloquear o seu IP por excesso de acessos, não há a quem recorrer.
- Manter um scraper funcionando é trabalho contínuo: cada mudança de layout exige ajuste no código.
Em outras palavras: dá para extrair dados de uma plataforma visual, mas é frágil por natureza. Quando o objetivo é construir algo confiável, o caminho é usar uma fonte projetada para consumo programático. Esse é exatamente o espaço que a bolsai ocupa, e o assunto do restante deste artigo. Se você está avaliando várias opções de fonte de dados, o guia sobre como escolher uma API da B3 ajuda a organizar os critérios.
Plataforma visual vs API: dois produtos, dois problemas
A distinção fundamental é entre interface e dados. Uma plataforma como o Status Invest entrega os dois de forma acoplada: você recebe os números já dentro de gráficos, tabelas e cards prontos. É ótimo para decidir olhando. Uma API como a bolsai entrega só os dados, crus, para você fazer o que quiser com eles: colocar num modelo, cruzar com outras fontes, salvar num banco, mandar para um agente. A tabela abaixo resume onde cada abordagem brilha.
| Necessidade | Status Invest (plataforma web) | bolsai (API REST) |
|---|---|---|
| Ler indicadores de um ativo no navegador | Feito para isso | Possível, mas sem interface visual |
| Gráficos e visualizações prontas | Sim | Você monta os seus |
| Consumir dados em Python | Sem API pública | Endpoint REST + JSON |
| Exportar para Google Sheets automaticamente | Exportação manual | ?format=csv + IMPORTDATA |
| Rodar um screener por código | Filtro pela interface | Endpoint /screener |
| Backtest com histórico longo | Não exposto por API | Histórico de preços desde 1986 |
| Alimentar um agente de IA (Claude, Cursor) | Não | Servidor MCP oficial |
| Fonte dos dados | Fontes públicas e parceiros | B3, CVM e BCB (oficiais) |
| Contrato de dados estável e documentado | Não (uso via navegador) | Documentação em /docs |
A leitura é direta. Se a sua tarefa termina em "eu olho e decido", a plataforma visual resolve. Se ela termina em "meu código decide, exporta, agenda ou repete", você precisa de uma API. Não é uma questão de qualidade dos dados de um ou de outro; é uma questão de formato de entrega. A documentação completa dos endpoints da bolsai, com exemplos em cURL e Python, está em /docs.
O que a bolsai faz que um site não faz
Vale detalhar os quatro casos em que a diferença entre plataforma e API deixa de ser filosófica e vira produtividade concreta. Cada um deles é algo que a interface de um site, por definição, não entrega.
1. Screener por código, não por cliques
Filtrar ações por múltiplos critérios em um site funciona, mas o resultado fica preso na tela. Com a bolsai, o endpoint /screener aceita operadores (_gt, _gte, _lt, _lte, _eq) sobre qualquer indicador fundamentalista, além de sector, sort e order. Você monta a consulta uma vez e roda quando quiser, com o resultado já em JSON ou CSV. Um exemplo de query que busca bancos com dividend yield acima de 6%, ROE acima de 10% e P/L abaixo de 15:
# Screener: nomes de setor válidos vêm de /companies/sectors
GET /api/v1/screener?sector=Bancos÷nd_yield_gt=6&roe_gt=10&pl_lt=15&sort=dividend_yield&order=desc&limit=20
A resposta traz a lista ranqueada com os dados do dia. Como os indicadores são recalculados a cada ingestão e os preços atualizam ao fim do pregão, rodar a mesma query amanhã reflete o mercado de amanhã, sem você refazer nenhum filtro na mão. Esse é o tipo de automação que uma plataforma visual não expõe.
2. Exportação em CSV que a planilha puxa sozinha
Qualquer endpoint de lista da bolsai aceita ?format=csv. Isso significa que o Google Sheets consegue importar os dados direto com =IMPORTDATA("..."), e a planilha se atualiza sozinha sempre que recalcula. Em vez de baixar um arquivo, abrir, colar e repetir toda semana, a fonte fica viva. Para quem controla carteira ou acompanha um universo de ativos numa planilha, essa é a diferença entre um processo manual e um automático.
3. Histórico longo para backtest
O endpoint /stocks/{ticker}/history devolve OHLCV com histórico de preços desde 1986, com parâmetros start, end e limit, e também aceita format=csv. Para backtest, séries longas e em formato tabular são pré-requisito, e navegar por elas em um site não é viável. Além dos preços, o endpoint /fundamentals/{ticker}/history entrega a evolução trimestral dos indicadores, útil para estudar como o P/L ou o ROE de uma empresa se moveu ao longo do tempo.
4. Acesso por agentes de IA via MCP
A bolsai publica um servidor MCP (Model Context Protocol) oficial, que permite a agentes como Claude Desktop, Cursor e Zed consultarem os dados diretamente, sem código de integração. É algo que só faz sentido para uma API: um site visual não tem como ser "chamado" por um agente de forma estruturada. O guia completo de instalação está em /mcp, e o tema é aprofundado mais adiante neste artigo.
Cobertura de dados da bolsai
A bolsai cobre o universo da B3 a partir de fontes oficiais. Os dados vêm da própria B3 (preços, eventos corporativos), da CVM (demonstrações financeiras) e do BCB (indicadores macroeconômicos). O que a API entrega, em termos de endpoints:
- Empresas:
/companies/para busca por nome ou setor,/companies/{ticker}para detalhe (CNPJ, setor, segmento) e/companies/sectorspara descobrir os nomes de setor válidos. - Ações:
/stocks/{ticker}/quote(última cotação),/stocks/{ticker}/stats(máxima e mínima de 52 semanas, volume médio),/stocks/{ticker}/history(OHLCV) e/stocks/{ticker}/corporate-events(desdobramentos, grupamentos, bonificações). - Fundamentos:
/fundamentals/{ticker}com mais de 27 indicadores (P/L, P/VP, EV/EBITDA, ROE, ROIC, margens, endividamento, CAGR) e/fundamentals/{ticker}/historypara a série trimestral. - Demonstrações financeiras:
/financials/{ticker}com as contas CVM brutas (DRE, BPA, BPP, DFC) emDFP(anual) ouITR(trimestral). - Dividendos:
/dividends/{ticker}comex_date,payment_date,valueetype(dividendo, JCP, bonificação). - FIIs:
/fiis/,/fiis/{ticker}(P/VP, DY, NAV, composição de ativos, vacância),/fiis/{ticker}/distributionse um/fiis/screenerdedicado. - Macro:
/macro/{series}com SELIC, CDI, IPCA, IGP-M, dólar, euro e Ibovespa.
Sobre a precisão dos números: a bolsai documenta abertamente como cada indicador é calculado. O lucro líquido TTM usa a conta CVM 3.11 (total consolidado), consistente com a metodologia do Fundamentus; o EBIT é calculado de forma limpa como Resultado Bruto menos SG&A; para bancos, o patrimônio usa as contas 2.07 e 2.08. Esse rigor se traduz em 96% de acurácia em relação ao Fundamentus para dados recentes (DFP 2025). Quem quiser entender a metodologia em detalhe pode ler o comparativo alternativa ao Fundamentus com API oficial.
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Criar chave gratuitaExemplo prático: os mesmos indicadores, agora em Python
Suponha que você já consulta um ativo no Status Invest para ler P/L, P/VP e ROE, e agora quer os mesmos números dentro de um script para processar vários papéis de uma vez. Com a bolsai, isso são poucas linhas. O código abaixo usa a biblioteca requests e é executável: basta trocar a chave pela sua, obtida no dashboard.
import requests
API_KEY = "sua_chave_aqui"
BASE = "https://api.usebolsai.com/api/v1"
HEADERS = {"X-API-Key": API_KEY}
r = requests.get(f"{BASE}/fundamentals/PETR4", headers=HEADERS)
r.raise_for_status()
d = r.json()
print(d["pl"], d["pvp"], d["roe"], d["dividend_yield"])
print("Atualizado em:", d["reference_date"])
# 7.9 1.3 22.4 0.11
# Atualizado em: 2026-07-01
Os valores acima são ilustrativos, apenas para mostrar o formato da resposta: os números reais vêm da chamada, com os dados do último fechamento. Repare que /fundamentals/{ticker} devolve um objeto plano com todos os indicadores de uma vez, sem precisar navegar por telas. Para comparar vários papéis, basta iterar sobre uma lista de tickers e montar uma tabela. Se quiser ir além dos fundamentos e puxar a série de preços ou os dividendos, os endpoints /stocks/{ticker}/history e /dividends/{ticker} seguem o mesmo padrão de chamada.
Um detalhe importante e honesto: os dados da bolsai são de fim de dia, não em tempo real. As cotações e os indicadores macro são atualizados diariamente às 20:30 BRT, após o fechamento do pregão; empresas, demonstrações, dividendos e FIIs são atualizados semanalmente. Isso é adequado para análise fundamentalista, screening, backtest e carteiras de longo prazo. Não é uma ferramenta para day trade ou monitoramento intradiário. Deixar essa expectativa clara evita surpresas na hora de arquitetar o seu projeto.
Integração com IA: o servidor MCP da bolsai
O Model Context Protocol é um padrão aberto que permite a agentes de IA descobrirem e chamarem ferramentas externas de forma estruturada. Em 2026, clientes como Claude Desktop, Cursor e Zed já suportam MCP nativamente. Uma API com servidor MCP oficial passa a funcionar como uma extensão do agente: ele consegue, sozinho, buscar cotações, fundamentos e dividendos para responder a uma pergunta. Um site visual não tem como oferecer isso, porque não há uma superfície programática para o agente conversar.
A instalação da bolsai é feita com o pacote bolsai-mcp. A configuração no Claude Desktop, no arquivo claude_desktop_config.json, fica assim:
# Instala o servidor MCP da bolsai
pip install bolsai-mcp
# Em claude_desktop_config.json:
{
"mcpServers": {
"bolsai": {
"command": "uvx",
"args": ["bolsai-mcp"],
"env": { "BOLSAI_API_KEY": "sk_sua_chave_aqui" }
}
}
}
Depois disso, você pode pedir ao Claude coisas como "compare o P/L e o ROE de ITUB4, BBAS3 e BBDC4" ou "liste bancos com dividend yield acima de 6%", e ele chama os dados da bolsai para responder. O servidor expõe 10 ferramentas MCP, incluindo consulta de cotação, fundamentos, dividendos (de ações e FIIs), comparação de papéis, screening e séries históricas de preço. O passo a passo completo, com exemplos para Cursor e Zed, está em /mcp. Esse é o tipo de fluxo que só existe quando os dados vivem atrás de uma API.
Preços e limites da bolsai
A bolsai tem um plano gratuito de verdade e um plano pago simples. A tabela resume:
| Plano | Custo | Requisições/dia | Histórico |
|---|---|---|---|
| Free | R$0 | 200 | Snapshot atual |
| Pro | R$49/mês | 10.000 | Histórico completo |
O plano gratuito é liberado com login pelo Google, sem cartão de crédito, e já dá acesso a todos os tipos de endpoint: fundamentos, dividendos, FIIs, macro e screener. Os limites reajustam à meia-noite UTC. O plano Pro, cancelável a qualquer momento via Stripe, libera 10.000 requisições diárias e o histórico completo, necessário para backtests longos. Para começar, basta criar a chave no dashboard.
Como usar Status Invest e bolsai juntos
A conclusão mais útil não é escolher um lado, e sim reconhecer que os dois convivem bem. Um fluxo comum entre investidores que também programam funciona assim:
- Descoberta e análise visual no Status Invest: quando você quer entender rapidamente uma empresa ou um FII, ler os indicadores num layout bem feito e ver gráficos, o site é imbatível para consulta manual.
- Automação e escala na bolsai: quando a análise precisa virar rotina (um screener que roda todo dia, uma planilha viva, um backtest, um relatório automático ou um agente de IA), a API entrega os dados no formato que o seu código consome.
O ponto é que a plataforma visual e a API não competem pela mesma tarefa. Uma responde "o que esse ativo parece agora?" com uma tela; a outra responde "processe esse universo de ativos e me devolva o resultado" com dados. Investidor que só analisa manualmente talvez nunca precise de uma API. No instante em que a análise vira código, planilha automática ou agente, a API deixa de ser opcional. Para uma comparação direta entre APIs de dados da B3, vale ler o comparativo bolsai vs brapi.
Perguntas frequentes
O Status Invest tem uma API pública?
Não. O Status Invest é uma plataforma web voltada para consulta e análise visual de ações, FIIs e outros ativos no navegador. Ele não publica uma API REST oficial nem documentação para desenvolvedores. Quem precisa consumir os dados por código normalmente recorre a scraping não oficial, que pode violar os termos de uso e quebra sem aviso quando o site muda. Para acesso programático estável, uma API projetada para isso como a bolsai é o caminho indicado.
Qual a diferença entre o Status Invest e a bolsai?
O Status Invest é um produto de interface: você abre o site, digita o ticker e lê os indicadores na tela. A bolsai é um produto de dados: você faz uma requisição HTTP e recebe JSON ou CSV para usar em Python, planilhas, dashboards, agentes de IA e rotinas automatizadas. Um é para o investidor que analisa manualmente; o outro é para quem constrói software sobre os dados da B3.
Posso exportar dados do Status Invest para o Excel ou Google Sheets?
O Status Invest oferece exportação em algumas telas, mas o fluxo é manual e não programável: você baixa, importa e repete a cada atualização. Com a bolsai, qualquer endpoint de lista aceita o parâmetro format=csv, então o Google Sheets consegue puxar os dados direto com a função IMPORTDATA e reprocessar sozinho. Isso transforma a planilha em algo vivo, sem downloads recorrentes.
A bolsai é gratuita?
Sim. O plano gratuito da bolsai oferece 200 requisições por dia com login pelo Google, sem cartão de crédito. O plano Pro custa R$49 por mês e libera 10.000 requisições diárias e histórico completo. Os dados vêm de fontes oficiais (B3, CVM e BCB) e são atualizados ao fim do dia, após o fechamento do pregão, às 20:30 BRT.
Dá para usar o Status Invest e a bolsai juntos?
Faz todo sentido. Muitos investidores usam o Status Invest para explorar visualmente uma ação ou um FII e a bolsai para automatizar o que a interface não faz: rodar um screener por código, alimentar um backtest com histórico longo, exportar séries para planilha ou deixar um agente de IA consultar os números via MCP. São ferramentas complementares, cada uma no seu papel.
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Referências
- statusinvest.com.br: plataforma web de análise de ações e FIIs para consulta manual.
- b3.com.br: fonte primária de cotações, COTAHIST e eventos corporativos.
- gov.br/cvm: Comissão de Valores Mobiliários, fonte das demonstrações financeiras.
- Documentação da bolsai: endpoints, parâmetros, exemplos e limites.
Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. As informações sobre o Status Invest refletem observação pública de que a plataforma é um produto web de consulta, sem API pública documentada, em julho de 2026, e podem mudar; consulte a fonte oficial antes de tomar decisões de arquitetura. Os planos e limites da bolsai citados também podem ser atualizados. Os dados da bolsai são de fim de dia (20:30 BRT), não em tempo real.