Explicador por bolsai 11 mai 2026 11 min de leitura

P/L, P/VP, ROE e EV/EBITDA: como os fundamentos são calculados (e por que diferem entre sites)

Status Invest, Fundamentus, Investidor10 e a bolsai mostram números diferentes para a mesma ação. A explicação raramente é erro. Quase sempre é uma escolha metodológica: período do lucro, conta CVM usada, número de ações, ajuste de proventos. Este guia destrincha as fórmulas dos cinco indicadores mais consultados, mostra onde cada plataforma diverge e dá o passo a passo para conferir qualquer cálculo a partir dos dados primários da CVM.

Por que sites mostram fundamentos diferentes para a mesma ação? Quatro escolhas explicam a divergência. Primeira: período do lucro (TTM, anual ou anualizado). Segunda: lucro consolidado total (conta 3.11) ou só da controladora (3.11.01). Terceira: número de ações em circulação ou total emitido. Quarta: data do preço usada no numerador. A combinação dessas escolhas produz P/L, P/VP, ROE e EV/EBITDA distintos, todos defensáveis dentro de cada metodologia.

Os cinco indicadores em uma visão geral

Antes de descer ao detalhe, vale alinhar as definições. A tabela abaixo organiza os indicadores que dominam screening de ações brasileiras. Os exemplos numéricos usam preços e fundamentos observados em abril de 2026. As fórmulas detalhadas aparecem nas seções específicas.

IndicadorFórmula resumidaO que medeQuando é útil
P/L Preço por ação ÷ LPA Quantos anos de lucro atual o preço incorpora Comparar empresas no mesmo setor; sinalizar otimismo de mercado
P/VP Preço por ação ÷ VPA Quantas vezes o patrimônio contábil o mercado paga Bancos, holdings e empresas de capital intensivo
ROE Lucro líquido 12m ÷ PL médio Eficiência da empresa em gerar lucro sobre o patrimônio Avaliar qualidade do negócio; comparar empresas dentro de um setor
EV/EBITDA (Market cap + dívida líquida) ÷ EBITDA Quantos anos de geração operacional o valor total da empresa equivale Comparar empresas com estruturas de capital diferentes; M&A
DY Proventos 12m ÷ preço por ação Quanto o acionista recebeu em proventos vs preço pago Estratégia de renda; comparar pagadoras de dividendos

Cada um desses indicadores admite escolhas sutis na construção do numerador e do denominador. As próximas seções abrem cada uma e mostram onde mora a divergência entre plataformas.

P/L: a primeira armadilha está no lucro

A fórmula canônica para como calcular P/L é direta:

P/L = Preço por ação ÷ LPA

A pegadinha começa no LPA (lucro por ação). Três escolhas práticas mudam o número.

Período do lucro. O LPA pode usar três janelas distintas: lucro do último ano fiscal completo (anual), lucro dos últimos doze meses combinando o ITR mais recente com os três trimestres anteriores (TTM) ou anualização do trimestre mais recente (lucro do trimestre × 4). A bolsai usa TTM por padrão, alinhada à prática de Fundamentus e dos relatórios sell-side. Uma empresa cujo lucro subiu de patamar no meio do ano mostra P/L TTM bem distante do P/L anual.

Lucro consolidado total ou só da controladora. A DRE da CVM separa duas linhas: a conta 3.11 é o lucro líquido consolidado total do período, e a conta 3.11.01 é a parcela atribuível aos sócios da controladora, descartando a participação de minoritários. A bolsai usa 3.11 (consolidado total) na calculadora de fundamentos, consistente com a metodologia do Fundamentus. Outros sites usam 3.11.01. Em empresas com participações minoritárias relevantes, como Itaúsa, a diferença chega a 10–15%.

Número de ações. O denominador do LPA é o número de ações em circulação, e há sutileza no que entra e o que sai. Ações em tesouraria saem do número em circulação, mas algumas plataformas usam o total emitido bruto. Empresas que reportam capital em unidades, milhares ou milhões sem indicar a unidade exigem heurística para normalizar. A bolsai testa multiplicadores (1, 1.000, 1.000.000) contra a razoabilidade do P/VP resultante e usa dados de ações da B3 como referência quando disponíveis.

Na página específica sobre P/L da bolsai está o passo a passo do cálculo com fórmula, exemplos e screener Python.

P/VP: o patrimônio depende do setor

A fórmula segue o mesmo padrão do P/L, trocando lucro por patrimônio.

P/VP = Preço por ação ÷ VPA VPA = Patrimônio líquido ÷ Número de ações

A divergência entre sites mora no patrimônio líquido. Empresas industriais e de varejo usam a conta CVM 2.03 (patrimônio líquido), padrão da estrutura BPP. Bancos têm balanço próprio: a estrutura padrão não cabe, e a CVM define contas próprias. A bolsai usa 2.07 (patrimônio líquido consolidado de instituições financeiras) somado a 2.08 (atribuível à controladora) para bancos. Sem essa adaptação, o P/VP de ITUB4, BBDC4 ou BBAS3 viria deslocado em direção ao mercado, distorcendo screens setoriais.

Holdings adicionam outra camada: o patrimônio inclui equivalência patrimonial das investidas. Para Itaúsa, por exemplo, o VPA reflete a parcela do patrimônio de Itaú, Alpargatas, Dexco e demais participações. A leitura do P/VP de uma holding precisa considerar que parte do valor de mercado já desconta o conglomerado ("desconto de holding"), tema fora deste guia mas que aparece no guia dedicado ao P/VP.

P/VP abaixo de 1 não significa barato em si: significa que o mercado precifica o patrimônio contábil com desconto. A pergunta seguinte é sempre por quê. Pode ser deterioração da capacidade de gerar lucro, expectativa de prejuízos futuros ou simplesmente que o setor opera em P/VP baixo de forma estrutural (transmissão elétrica, bancos médios, algumas commodities).

A documentação da API bolsai lista cada indicador retornado por /fundamentals/{ticker}, com fórmulas, contas CVM de origem e exemplos em curl e Python. A metodologia inteira é pública e auditável.

ROE: a média do patrimônio importa

ROE (return on equity, retorno sobre patrimônio líquido) responde uma pergunta diferente: quanto a empresa gera de lucro para cada real de patrimônio dos acionistas. A fórmula:

ROE = Lucro líquido 12m ÷ Patrimônio líquido médio

Três escolhas geram divergência entre plataformas.

Numerador. Mesma discussão do P/L: lucro TTM ou anual, total consolidado (conta 3.11) ou atribuível à controladora (3.11.01). A bolsai usa 3.11 em base TTM por padrão.

Denominador. Existem três convenções para o patrimônio: usar o saldo final do período, usar o saldo inicial ou usar a média entre início e fim. A média captura o capital que efetivamente esteve disponível durante o exercício para gerar o lucro. Empresas que fizeram emissão grande no meio do ano ou recompra agressiva têm ROE distorcido se a média não for usada. A bolsai usa a média entre os trimestres na janela TTM.

Bancos. A mesma adaptação do P/VP vale aqui. O ROE bancário usa as contas 2.07/2.08 em vez de 2.03. Esse detalhe é o que separa ROE de 18% (correto para BBDC4) de 12% (calculado errado a partir de 2.03, que mostra capital diferente em uma instituição financeira).

ROE saudável depende do setor. Tecnologia e bens de consumo de marca operam confortavelmente acima de 25%. Utilities reguladas entre 12% e 18%. Bancos grandes entre 15% e 22%. Commodities cíclicas variam de prejuízo a 40% conforme o momento do ciclo. Comparações entre setores enganam mais do que ajudam. O guia dedicado ao ROE destrincha leitura por setor, exemplos práticos e o passo a passo via API.

EV/EBITDA: o múltiplo que ignora a estrutura de capital

EV/EBITDA compara empresas com estruturas de capital diferentes ao colocar dívida e equity no numerador. A fórmula:

EV = Market cap + Dívida total − Caixa e equivalentes EV/EBITDA = EV ÷ EBITDA 12m EBITDA = EBIT + Depreciação e Amortização

Aqui estão os três pontos onde plataformas divergem.

EBIT clean vs CVM 3.05. A conta CVM 3.05 (Resultado Antes do Resultado Financeiro e Tributos) inclui equivalência patrimonial, resultados de operações descontinuadas e itens não recorrentes. Esse não é o EBIT operacional usado em valuation. A bolsai constrói EBIT clean a partir de Lucro Bruto (conta 3.03) menos despesas operacionais (SG&A, contas 3.04.x), excluindo equivalência e outras receitas/despesas não operacionais. Alinhada à prática de Fundamentus e relatórios sell-side.

Depreciação e Amortização. A bolsai localiza D&A buscando o nome da conta que contenha "depreci%" dentro da hierarquia 6.01.01.x da DFC, ignorando explicitamente a amortização financeira (que pertence ao resultado financeiro, não ao operacional). Plataformas que tentam pegar a depreciação pela DRE ou pela equivalência patrimonial chegam a números diferentes; algumas confundem amortização contábil de intangível com amortização de dívida.

Dívida líquida. O cálculo da dívida total soma empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo, debêntures emitidas e arrendamentos IFRS 16. Caixa subtraído usa caixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras de curto prazo. A inclusão de IFRS 16 pós-2019 muda EV/EBITDA significativamente em empresas que arrendam imóveis (varejistas) ou frota (aluguel de veículos). Comparações de série histórica precisam reconhecer essa quebra.

EV/EBITDA não se aplica a bancos. Dívida é matéria-prima do negócio, não capital tomado para alavancar operação. Depreciação operacional é desprezível porque o ativo principal é financeiro, não físico. A bolsai retorna null para esse indicador em ITUB4, BBDC4, BBAS3 e demais instituições financeiras. O guia completo do EV/EBITDA traz a leitura por setor e o cálculo passo a passo.

DY (Dividend Yield): o ajuste de proventos importa

Dividend yield mede quanto o acionista recebeu em proventos nos últimos doze meses em relação ao preço da ação.

DY = (Proventos por ação 12m ÷ Preço por ação) × 100

Duas escolhas geram divergência.

Data de corte: ex-date ou payment_date. Sites diferem na hora de contabilizar um dividendo no DY de janela móvel. Algumas plataformas usam a data ex-dividendo (quando a ação passa a ser negociada sem direito ao provento). Outras usam a data de pagamento (quando o dinheiro entra na conta). A diferença chega a meses, e em quartis de virada de ano muda o ano contábil do pagamento. A bolsai usa ex_date para somar os últimos doze meses, alinhada à convenção da maioria das plataformas de mercado.

Inclusão de JCP. Juros sobre capital próprio (JCP) são tributados em 15% na fonte, ao contrário dos dividendos comuns (isentos para pessoa física hoje). A maioria das plataformas, incluindo a bolsai, soma dividendos e JCP no DY bruto. O guia sobre tributação de proventos detalha por que JCP cosma como dividendo bruto, mas não líquido, na carteira.

Ajustes de proventos (desdobramentos, grupamentos, bonificações) afetam o histórico. Quando uma ação faz desdobramento 1:2, o valor por ação do dividendo histórico precisa ser dividido por 2 para comparação. A B3 publica avisos de proventos sem ajuste embutido, e a bolsai aplica o fator de ajuste retroativamente ao construir o histórico exibido em /dividends/{ticker}. Sites que não aplicam esse ajuste mostram DY histórico inflado.

Por que sites mostram números diferentes

A tabela abaixo organiza as escolhas metodológicas mais comuns em quatro plataformas amplamente consultadas. Os critérios refletem o que cada plataforma documenta publicamente ou expõe na própria interface; algumas escolhas evoluem ao longo do tempo, portanto serve como referência indicativa, não absoluta.

CritériobolsaiFundamentusStatus InvestInvestidor10
Janela do lucro TTM (12m) TTM (12m) TTM (12m) TTM (12m)
Conta do lucro 3.11 consolidado 3.11 consolidado Atribuível à controladora Atribuível à controladora
PL para ROE/P/VP de bancos 2.07 + 2.08 2.07 + 2.08 Próprio do setor Próprio do setor
EBIT Clean (3.03 − SG&A) Clean CVM 3.05 Mistura
D&A DFC 6.01.01 "depreci%" DFC DRE/DFC Variável
DY data de corte ex_date ex_date ex_date payment_date
Acesso programático API REST oficial Web scraping Não oficial Não oficial

Em empresas convencionais (industriais, varejo, energia), as escolhas diferem pouco e os fundamentos convergem dentro de 2 a 5%. A divergência cresce em três cenários: empresas com participação minoritária relevante (10–15% de diferença em Itaúsa entre 3.11 e 3.11.01), bancos com tratamento da estrutura financeira, e cíclicas em virada de ciclo onde TTM e anual descolam fortemente. A acurácia interna da bolsai contra Fundamentus é de 96% em DFPs recentes (publicadas no último trimestre) e 82% no acervo histórico amplo, conforme detalhado no benchmark contra o Fundamentus.

Como conferir qualquer fundamento manualmente

O caminho honesto para validar um número é refazê-lo a partir dos dados primários. A API bolsai expõe as contas CVM brutas em /financials/{ticker} e os indicadores já calculados em /fundamentals/{ticker}. Comparar os dois lados a lado expõe a metodologia. O exemplo abaixo refaz o P/L de PETR4 manualmente, partindo da DRE consolidada.

import httpx

API_KEY = "sua_chave_aqui"
BASE = "https://api.usebolsai.com/api/v1"
HEADERS = {"X-API-Key": API_KEY}


def reconstruir_pl(ticker: str) -> dict:
    """Reconstrói P/L manualmente a partir das contas CVM e compara com o calculado."""
    # 1. Cota atual e dados do balanço já calculados
    fun = httpx.get(f"{BASE}/fundamentals/{ticker}", headers=HEADERS, timeout=10).json()
    preco = fun["close_price"]
    shares = fun["shares_outstanding"]

    # 2. DRE consolidada da DFP mais recente (anual)
    dre = httpx.get(
        f"{BASE}/financials/{ticker}",
        params={"statement_type": "DRE", "report_type": "DFP", "limit": 100},
        headers=HEADERS,
    ).json()["data"]

    lucro_311 = next(c["value"] for c in dre if c["account_code"] == "3.11")
    lucro_31101 = next(
        (c["value"] for c in dre if c["account_code"] == "3.11.01"),
        None,
    )

    # 3. Calcula P/L pelos dois critérios
    lpa_311 = lucro_311 / shares
    pl_consolidado = preco / lpa_311

    return {
        "ticker": ticker,
        "preco": preco,
        "lucro_3_11": lucro_311,
        "lucro_3_11_01": lucro_31101,
        "shares_outstanding": shares,
        "pl_manual_consolidado": round(pl_consolidado, 2),
        "pl_api": fun["pl"],
        "diferenca_pct": round((pl_consolidado - fun["pl"]) / fun["pl"] * 100, 2),
    }


print(reconstruir_pl("PETR4"))

A saída mostra o cálculo manual em paralelo ao número da API. A diferença pequena (geralmente menos de 1%) entre o P/L manual (DFP anual) e o P/L da API (TTM) vem justamente da janela: TTM mistura ITRs recentes com a DFP anterior, capturando movimento mais recente do lucro.

{'ticker': 'PETR4', 'preco': 45.67, 'lucro_3_11': 110605000000.0, 'lucro_3_11_01': 109842000000.0, 'shares_outstanding': 12888732761, 'pl_manual_consolidado': 5.32, 'pl_api': 5.32, 'diferenca_pct': 0.0}

Histórico do P/L e ROE em uma só chamada

Para entender a evolução de um indicador ao longo do ciclo, o endpoint /fundamentals/{ticker}/history devolve até 80 trimestres por ação, cada um com TTM normalizado. Útil para identificar regime de valuation: a empresa está em P/L baixo histórico ou em pico de múltiplo?

import httpx

API_KEY = "sua_chave_aqui"
BASE = "https://api.usebolsai.com/api/v1"
HEADERS = {"X-API-Key": API_KEY}

# Evolução trimestral de PETR4 nos últimos 3 anos
r = httpx.get(
    f"{BASE}/fundamentals/PETR4/history",
    params={"limit": 12},
    headers=HEADERS,
)

print(f"{'data':12}  {'preço':>7}  {'P/L':>6}  {'P/VP':>6}  {'ROE':>6}  {'EV/EBITDA':>10}")
for item in r.json()["history"]:
    print(
        f"{item['reference_date']}  "
        f"{item['close_price']:>7}  "
        f"{item['pl']:>6}  "
        f"{item['pvp']:>6}  "
        f"{item['roe']:>6}  "
        f"{item.get('ev_ebitda', '-'):>10}"
    )
data preço P/L P/VP ROE EV/EBITDA 2025-12-31 45.67 5.32 1.42 26.6 3.27 2025-09-30 40.12 4.89 1.31 28.1 3.05 2025-06-30 38.74 5.01 1.27 27.3 2.98 2025-03-31 37.20 5.45 1.24 25.8 3.12 2024-12-31 39.50 6.10 1.30 24.1 3.45 2024-09-30 36.80 6.42 1.21 22.7 3.61 ...

Com a série completa, é direto plotar a evolução, calcular percentis (em que decil histórico o P/L atual está), comparar contra IBOV ou aplicar regimes setoriais. O guia de backtesting com Python usa exatamente essa estrutura para validar estratégias de valor e momentum.

Perguntas frequentes

Por que Status Invest, Fundamentus e Investidor10 mostram P/L diferente para a mesma ação?

Quatro escolhas metodológicas geram a divergência. Primeira: período de lucro. Sites podem usar lucro do último ano fiscal completo (anual), TTM (últimos 12 meses combinando ITRs e DFP) ou anualização do trimestre. Segunda: lucro consolidado total (conta CVM 3.11) ou apenas atribuível à controladora (3.11.01), descartando minoritários. Terceira: número de ações em circulação versus total, com tratamento diferente de ações em tesouraria. Quarta: data de referência do preço usada no numerador. Cada combinação produz um P/L distinto, todos defensáveis.

O que é TTM e por que importa no cálculo de P/L?

TTM (trailing twelve months, ou últimos doze meses) soma os últimos quatro trimestres publicados: o ITR mais recente mais os três anteriores, recompondo doze meses contínuos. A vantagem é refletir o resultado corrente, não a foto congelada da DFP de dezembro publicada em março. Para uma empresa cujo lucro mudou de patamar no meio do ano, o P/L TTM se distancia bastante do P/L baseado na DFP anual. A bolsai usa TTM por padrão, alinhada à prática de Fundamentus e de relatórios sell-side.

Por que bancos têm fórmulas diferentes para P/VP e ROE?

O balanço patrimonial bancário não cabe na estrutura padrão da DRE/BPP. As contas CVM 2.07 (patrimônio líquido consolidado) e 2.08 (atribuível à controladora) substituem o uso de 2.03 (patrimônio líquido em empresas não financeiras). Sem essa adaptação, o ROE de ITUB4, BBDC4 ou BBAS3 viria deslocado. Além disso, EV/EBITDA não se aplica a bancos: dívida é matéria-prima do negócio, e a depreciação operacional não é significativa. A bolsai retorna null para esse indicador em bancos.

EBIT da CVM (conta 3.05) é o mesmo EBIT usado em valuation?

Não. A conta 3.05 da CVM (Resultado Antes do Resultado Financeiro e Tributos) inclui itens que distorcem o EBIT operacional, como equivalência patrimonial, resultados de operações descontinuadas e efeitos de impairment não recorrentes. O EBIT operacional clean usado em EV/EBIT e EV/EBITDA é construído a partir de Lucro Bruto menos despesas operacionais (SG&A), exclui equivalência e outras receitas/despesas não operacionais. A bolsai usa essa definição clean, alinhada à prática de relatórios sell-side e ao cálculo de Fundamentus.

Como conferir se o fundamento de um site está correto?

O caminho honesto é reproduzir o cálculo a partir dos dados primários. Baixe a DRE e o BPP da CVM (ITRs e DFP), identifique as contas usadas (3.11 para lucro, 2.03 ou 2.07/2.08 para patrimônio, 3.01 para receita), aplique a fórmula TTM se for o caso e compare. A API bolsai expõe esses dados brutos em /financials/{ticker} e os indicadores calculados em /fundamentals/{ticker}, permitindo auditar passo a passo. Quando um site diverge em mais de 10%, a explicação quase sempre é metodologia, não erro.

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Disclaimer

O conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer valor mobiliário. Indicadores fundamentalistas são insumos para análise; não substituem due diligence completa, leitura das demonstrações financeiras e avaliação compatível com o perfil do investidor. Valores ilustrativos refletem a base pública disponível em 2026-04-30 e podem variar após a publicação de novos ITRs, DFPs e ajustes contábeis.

por bolsai • 11 de maio de 2026 • 11 min de leitura

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