LPA (Lucro por Ação): Como Calcular e Acessar via API da B3
por bolsai · 18 de abril de 2026 · 7 min de leitura
A API LPA da bolsai entrega o Lucro por Ação com TTM normalizado para todas as ações da B3. O texto apresenta a fórmula, a metodologia de número de ações, a correspondência entre LPA e EPS e exemplos de código para consultar o valor atual de WEGE3 e analisar a trajetória trimestral do indicador.
O que é LPA e por que ele importa
O LPA (Lucro por Ação) é o indicador que divide o lucro líquido dos últimos doze meses pelo número de ações em circulação. Ele mostra quanto de lucro cada ação representa no acumulado de 12 meses e serve como base direta para o cálculo do P/L. Em 2026-04-01, ITUB4 operava com LPA próximo de R$4,20; WEGE3, perto de R$1,25.
O LPA funciona como a ponte entre o resultado contábil divulgado na DRE e a precificação da ação no mercado. Analistas acompanham a trajetória trimestral para identificar se o crescimento do lucro acompanha a expansão da base acionária, se buybacks alavancam o indicador ou se emissões recentes diluíram o retorno dos acionistas. O material complementar sobre o acesso a dados fundamentalistas da B3 contextualiza como os indicadores se conectam dentro da API.
Fórmula do LPA: TTM, número de ações e diluição
A definição mais usada no mercado brasileiro é:
LPA = Lucro Líquido (TTM) / Número de Ações em Circulação
LPA TTM = soma dos 4 últimos trimestres do lucro líquido
dividida pelo total de ações em circulação
Dois parâmetros concentram a maior parte das divergências entre fontes. O primeiro é o lucro líquido utilizado: o padrão internacional é o lucro atribuído aos acionistas controladores, que na DRE brasileira corresponde à conta 3.11 da CVM. Usar a conta 3.09 (lucro do exercício antes da participação dos minoritários) gera valores ligeiramente diferentes em conglomerados com subsidiárias não integralmente detidas. O segundo parâmetro é o número de ações em circulação, que varia com emissões, recompras, splits e grupamentos. Em papéis com eventos corporativos recentes, a diferença entre usar o número atual e a média ponderada pode chegar a dez pontos percentuais.
LPA básico vs LPA diluído
O LPA básico utiliza apenas as ações efetivamente em circulação. O LPA diluído incorpora instrumentos que podem se converter em ações no futuro, como opções concedidas a executivos, warrants, bônus de subscrição e debêntures conversíveis. Considere uma empresa hipotética com 100 milhões de ações em circulação e 3 milhões de opções emitidas para funcionários que podem ser exercidas a preços abaixo do mercado. Se o lucro TTM for R$200 milhões, o LPA básico fica em R$2,00; o LPA diluído cai para cerca de R$1,94, aproximadamente 3% abaixo.
A bolsai adota o LPA básico com TTM normalizado. Para a maior parte dos papéis listados na B3, a diferença entre básico e diluído é pequena. Empresas com planos de opções relevantes (algumas techs e o setor financeiro) podem apresentar gaps mais significativos e merecem leitura complementar dos anexos das demonstrações contábeis publicadas na CVM.
LPA vs EPS: nomenclatura brasileira e internacional
LPA e EPS (Earnings Per Share) são o mesmo indicador. A sigla brasileira aparece em prospectos, release de resultados e plataformas locais. A sigla EPS predomina em relatórios anglo-saxões, em provedores internacionais como Bloomberg e Reuters e na maior parte das APIs globais de fundamentos. Um analista que consulta dados de ações estrangeiras e brasileiras cruza os dois termos com frequência.
A convenção de reporte também muda entre jurisdições. Nos Estados Unidos, empresas listadas divulgam EPS trimestral em dólares, e analistas trabalham tanto com EPS trailing quanto EPS forward (projetado). No Brasil, o LPA reportado no release segue o padrão IFRS e é usualmente trailing. A API LPA da bolsai entrega o valor trailing (TTM), calculado a partir das demonstrações oficiais publicadas na CVM, sem projeção ou estimativa de mercado envolvida.
Como a bolsai calcula o LPA (metodologia)
O pipeline de cálculo segue quatro etapas reproduzíveis:
- Ingestão dos ITRs e DFPs publicados na CVM, com extração da conta 3.11 (lucro líquido consolidado atribuído aos controladores) dos últimos quatro trimestres disponíveis.
- Soma dos quatro trimestres para compor o lucro líquido TTM, consistente com a metodologia do Fundamentus.
- Obtenção do número de ações. A CVM reporta a quantidade de forma inconsistente, ora em unidades, ora em milhares, ora em milhões, sem indicar a escala. A bolsai testa multiplicadores 1, 1.000 e 1.000.000 contra a razoabilidade do P/VP resultante. Quando o dado oficial da B3 está disponível, ele é usado como ground truth.
- LPA = lucro líquido TTM / número de ações em circulação.
Bancos recebem tratamento específico no cálculo de patrimônio líquido (uso das contas 2.07/2.08 em vez da 2.03), mas para o LPA a fonte do lucro permanece a 3.11. Papéis como ITUB4, BBAS3 e SANB11 passam pelo mesmo pipeline. A acurácia observada contra o Fundamentus é de 96% em DFPs recentes, conforme detalhado no comparativo entre APIs da B3.
Como acessar o LPA via API em Python
O endpoint principal é GET /fundamentals/{ticker}. A resposta inclui o LPA em reais, o lucro líquido acumulado em 12 meses e o número total de ações em circulação. O exemplo abaixo consulta o LPA de WEGE3.
import httpx
API_KEY = "sk_sua_chave_aqui"
BASE = "https://api.usebolsai.com/api/v1"
HEADERS = {"X-API-Key": API_KEY}
r = httpx.get(f"{BASE}/fundamentals/WEGE3", headers=HEADERS)
data = r.json()
print(f"Ticker: {data['ticker']}")
print(f"Preço: R$ {data['preco']:.2f}")
print(f"LPA (TTM): R$ {data['lpa']:.2f}")
print(f"Lucro Líq. 12m: R$ {data['lucro_liquido_12m']:,.0f}")
print(f"Ações: {data['numero_acoes']:,.0f}")
print(f"P/L: {data['pl']:.2f}")
Saída esperada em abril de 2026:
Ticker: WEGE3
Preço: R$ 37.62
LPA (TTM): R$ 1.25
Lucro Líq. 12m: R$ 5,245,000,000
Ações: 4,196,000,000
P/L: 30.10
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Para acompanhar a trajetória do indicador, o endpoint /fundamentals/{ticker}/history devolve até 11 anos de série trimestral. O script a seguir busca o LPA trimestre a trimestre de WEGE3 e calcula a taxa de crescimento ano contra ano, útil para identificar aceleração ou desaceleração no lucro por ação.
import httpx
API_KEY = "sk_sua_chave_aqui"
BASE = "https://api.usebolsai.com/api/v1"
HEADERS = {"X-API-Key": API_KEY}
r = httpx.get(
f"{BASE}/fundamentals/WEGE3/history",
params={"limit": 8},
headers=HEADERS,
)
historico = r.json()["history"]
print(f"{'Trimestre':12}{'LPA TTM':>12}{'YoY':>10}")
for i, q in enumerate(historico):
lpa = q["lpa"]
if i + 4 < len(historico):
lpa_ant = historico[i + 4]["lpa"]
yoy = (lpa / lpa_ant - 1) * 100
yoy_str = f"{yoy:+.1f}%"
else:
yoy_str = "-"
print(f"{q['reference_date']:12}R$ {lpa:>8.2f}{yoy_str:>10}")
Saída típica em abril de 2026:
Trimestre LPA TTM YoY
2025-12-31 R$ 1.25 +11.6%
2025-09-30 R$ 1.21 +10.9%
2025-06-30 R$ 1.18 +12.4%
2025-03-31 R$ 1.15 +13.9%
2024-12-31 R$ 1.12 -
2024-09-30 R$ 1.09 -
2024-06-30 R$ 1.05 -
2024-03-31 R$ 1.01 -
A leitura do histórico separa crescimento real de efeitos de base: quedas súbitas de LPA costumam revelar diluição por emissão, enquanto saltos isolados indicam receita não recorrente ou buyback agressivo no trimestre.
LPA e P/L: a conexão entre os dois indicadores
O LPA é o denominador do P/L. A fórmula P/L = Preço / LPA torna o LPA o insumo fundamental de qualquer análise de valuation por múltiplos. A tabela abaixo mostra como o mesmo cálculo se aplica a papéis de perfis distintos em 2026-04-01.
| Ticker | Preço | LPA TTM | P/L | Setor |
|---|---|---|---|---|
| ITUB4 | R$ 35,00 |
R$ 4,20 |
8,3 |
Bancos |
| BBAS3 | R$ 38,70 |
R$ 9,00 |
4,3 |
Bancos |
| PETR4 | R$ 34,00 |
R$ 8,50 |
4,0 |
Commodities |
| WEGE3 | R$ 37,62 |
R$ 1,25 |
30,1 |
Bens industriais |
| MGLU3 | R$ 4,50 |
R$ -0,18 |
— |
Varejo digital |
A comparação entre BBAS3 (LPA R$9,00, P/L 4,3) e WEGE3 (LPA R$1,25, P/L 30,1) expõe uma verdade central: LPA absoluto isolado não diz se a ação é cara ou barata. A companhia de bens industriais tem LPA menor e preço similar, mas negocia com múltiplo sete vezes maior porque o mercado precifica crescimento futuro. O LPA alto de BBAS3 reflete tanto geração de lucro quanto base acionária modesta, e não necessariamente qualidade superior.
Quando o LPA engana: emissões, buybacks, eventos corporativos
Três situações distorcem a leitura do LPA e exigem atenção antes de incorporar o indicador em modelos automáticos.
Emissão de novas ações
Quando a empresa emite ações para capitalizar investimentos, o denominador da fórmula aumenta sem ganho imediato no lucro. O LPA cai mesmo que o negócio não tenha piorado. Follow-ons recentes na base industrial brasileira produziram quedas de 8% a 15% no LPA imediatamente após a liquidação. O efeito se dissipa quando o capital novo começa a gerar resultado, processo que pode levar de dois a quatro anos. A leitura correta, nesses casos, combina o LPA com o lucro líquido absoluto.
Recompra de ações (buyback)
Programas de recompra reduzem o número de ações em circulação e inflam o LPA sem que o lucro tenha melhorado. O ganho é contábil, não operacional. Uma empresa que reduz 5% do free float via buyback verá o LPA subir cerca de 5% no próximo trimestre, tudo o mais constante. O investidor deve separar crescimento genuíno do lucro (expansão do lucro líquido) da engenharia financeira (redução da base acionária). A série histórica do indicador, combinada com o número absoluto de ações, permite isolar os dois efeitos.
Ganhos não recorrentes e eventos corporativos
Venda de ativos, reversão de provisão, crédito tributário extraordinário e reavaliações contábeis podem inflar o lucro de um trimestre específico e distorcer o LPA TTM por até quatro trimestres consecutivos. Reestruturações societárias, como incorporações reversas e cisões, alteram tanto o lucro quanto o número de ações de forma não linear. Uma leitura cruzada com o lucro líquido ajustado e com a margem EBIT (disponível via endpoint /fundamentals/{ticker}) ajuda a identificar a origem do movimento.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre LPA e EPS?
LPA (Lucro por Ação) e EPS (Earnings Per Share) são o mesmo indicador, apenas com nomenclatura distinta: a sigla brasileira aparece em relatórios de companhias listadas na B3, enquanto EPS é usada em relatórios anglo-saxões e em APIs internacionais. A fórmula é idêntica: lucro líquido atribuído aos acionistas dividido pelo número de ações em circulação.
LPA negativo significa o quê?
LPA negativo indica que a empresa registrou prejuízo líquido no período considerado. O valor mostra o quanto de prejuízo cada ação absorveu nos últimos 12 meses. Quando o LPA é negativo, o P/L perde utilidade analítica e métricas alternativas, como EV/Receita ou P/SR, tornam-se mais adequadas.
Como calcular o P/L a partir do LPA?
A relação direta é P/L = Preço da ação / LPA. Para ITUB4 cotada a R$35,00 com LPA TTM de R$4,20, o P/L fica em 8,3. A API da bolsai retorna ambos os campos (lpa e pl) na mesma resposta do endpoint /fundamentals/{ticker}, eliminando a necessidade de recalcular o múltiplo manualmente.
LPA básico ou diluído: qual usar?
O LPA básico usa o número de ações efetivamente em circulação. O LPA diluído incorpora potenciais conversíveis, como opções de funcionários, bônus de subscrição e dívidas conversíveis, que podem reduzir o indicador. Para a maior parte das empresas brasileiras listadas, a diferença fica abaixo de 3%. A bolsai utiliza o LPA básico com TTM normalizado, consistente com o padrão usado pelo Fundamentus.
Próximos passos
O LPA é a base sobre a qual se constrói o P/L e a leitura de lucratividade absoluta da ação. Trabalhar com um valor bem calculado, alinhado à metodologia da conta 3.11 da CVM, acelera qualquer automação de carteiras e rankings. A referência técnica da API lista todos os endpoints relacionados e os limites de requisição de cada plano.
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